Por tudo o que é raiva e por tudo que não é somente céu e vento. Por conta de sorriso e desacordo. De promessa e permanência. De janeiros e de mudanças. Por conta da palavra e disso tudo que ás vezes também quer dizer rio de janeiro. Por conta de ontem e tudo isso que não quer dizer vermelho. Por que vermelho é tudo isso que se faz entre as milhares de 4 paredes de quaisquer duas pessoas. Só entre 4 paredes que o resto, esse resto todo é vento. Esse resto todo que é vento e essa raiva, de vontade de andar, correr se jogar, raiva que pulsa no peito. Filiação direta do grito e dessas américas não dos medos que pulsam na gente. Tudo isso é bobagem. Porque houve os papos todos da individualidade e do respeito ao que não é junto que foram jogados no lixo. Escrevo e vou escrever sempre. Mais cinco ou seis livros e que depois venha o esquecimento necessário. A morte não há de ser agora. Há muito a ser escrito ainda. Porque houveram os papos e o comum acordo entre tudo o que sou ainda que não refletido no outro. Eu te amo e não há desculpas pra isso. Não proponho, não peço e nem quero. O teclado é duro, a vida é dura e há dois mil cascos de cerveja duros e gelados em qualquer bar. Vai ser assim e foda-se. Finalmente você conseguiu a sua desculpa, finalmente você tem as tuas negativas necessárias. Eu, junto com dois pés e esse milhar de abraços pelas costas busco o que é bom e também quer dizer rio. Busco a paz negada até hoje. Busco palavras guardadas por trás das pessoas. Sem procurar esbarrei com você. E foi bom. Isso é o que eu guardo. O que eu quero e busco por trás dessa tela, através do texto. Eu busco tudo isso que é grande e está por trás das pessoas.
Isso tudo não é desculpa.
Eu te amo porque há um céu por cima e toda essa água acaba no mar algum dia. Eu te amo porque há troca e a tristeza desse mundo cinza não quero. Te amo pela alegria, pela tristeza e por toda briga em que a gente estava colado. Te amo porque não quero. Te amo porque você me basta. Te amo porque trepar com você me deixa mais instigado do que satisfeito. Te amo porque você me engrandece, me faz inteiro. Sorriso besta e é só o que há lá fora. Te amo porque você me dá vontade de tomar um suco de fruta e de vez em quando até aceitar não comer pão nem doce. Te amo porque posso te ajudar assim como você me ajuda. Porque sem trocar, eu não chego à lugar algum. Te amo porque você me dá vontade de tomar cerveja e de ficar doidão e de escrever quase o tempo inteiro. Te amo porque quero e mais fazer tudo com você. Juntar e separar de novo só pra você poder falar que me conhece, quando o mais fácil era ler a porra do meu livro. Cozinhar pra você conseguir entender o quanto de amar que cabe nesse peito e que é estendido a qualquer um com sorriso. Porque eu amo esse mundo, isso é preciso entender. Quem não ama não muda porra nenhuma. Quem não ama nem tenta. Amo então tento, e o que vale é a porra da tentativa. Te amo porque você tem o melhor papo, * ****** ******* * * ****** *******, o sorriso mais lindo e a vontade mais bela. Não escrevo para os imbecis, não escrevo pra quem tem alma diminuta. Escrevo para as pessoas raras. Escrevo pra quem não tem medo e mete a testa nos muros. A gente derruba esses muros de um jeito ou de outro. A gente aposta a vida nisso. Eu te amo porque você me faz esquecer desses muros. Você me faz esquecer da montanha. E de tudo isso que quer dizer deserto. E de tudo isso que quer dizer grão de areia. Te amo porque você me lembra o carinho do vento e o movimento do rio. Areia nos pés, olhar de infinito. Te amo de sentar na sombra e esquecer dos movimentos do globo. De dividir edredon molhado e cantar que o sol é infinito e para sempre às gargalhadas. Eu te amo porque eu posso. Porque eu não tenho medo. Porque Tempo é rei. Porque eu sou filho de Oxalá e não tenho medo dessa vida.
Isso tudo ainda é momento, ou da soma dos presentes.
Não há desculpas que eu possa te dar então não vou nem pedir. Tou com você do começo ao fim e até o começo de novo, ouroboros, ora bolas. Não fiquei com ninguém, declarei o sentimento pulsante aos 4 cantos e ao vento, nos sete vórtices e no círculo, pelo totem da anta, pelo totem do passarinho. Quero estar junto. Perto. Dividir estrada, multiplicar sorriso e somar os quadrados, tirar tudo isso que não quer dizer agente, longe. Te quero ainda mais perto, de somar porra e saliva só pra fazer tudo de novo. Porque tesão gata, esse tesão pra derribar montanha e arriar qualquer gigante, depois de trinta carnavais não é tão fácil quanto escrever poesia. E tesão por você eu tenho aos montes, litros e litros. Te amo de não beber nunca mais, te amo de parar de fumar só pra ficar junto, te amo de fazer filho, faxina e ainda te dar um sorriso toda manhã sem vergonha alguma de todos esses dentes que não tenho. Te amo de fazer papel de babaca e jogar isso ao vento, nessas virtualidades em que você escolheu começar essa briga. Internet não é porra nenhuma, eu saio fora feliz porque material pra escrever já tenho aos montes, um monte em qualquer bar, um monte em qualquer altar, um monte em qualquer rua, em qualquer um dos 4 cantos. Um livro por cada olho e cinco pra derrubar a montanha. Sou poeta. Sou guerreiro. Mão de espada e mão de pilão. E mão pra caminhar com você. Todas as minhas mãos pra você. Todas as minhas palavras. A minha vontade mais pura. A minha vontade mais mato, mais trilha, mais olho injetado, mais pés descalços e lama, minha vontade mais lua e fogo. Mais água e pedras. Minha vontade menos, minha maior vontade e os menos, esse mundo é pequeno demais pra nós dois, então a gente faz um maior. Amar, meu amor, é verbo que vem de perdão e de mar, palavra da quintessência do mundo, Olorüm quem criou. Esse texto tem que acabar de alguma forma, que agente continue de qualquer forma, medo, é a única coisa que não cabe:
Eu só vou se a naná for.
Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Em nome de Cristo, de Olorüm e de tudo que te for mais sagrado, eu peço o teu perdão. Estou aqui, com todas as armas que juntei, vazio. Sou estrada e sou deserto, sou soma. Sou filho de Oxalá e visto branco. Sou filho de Ogum e visto azul. Sou filho deste Brasil e visto qualquer cor que me derem. Não tenho nada a perder e ainda tenho cinco textos pra você. Porque eu tenho base. Isso tudo que soma, e me multiplica até esse agora e me faz ser quem eu sou. Pouca merda não segundo Ifá. Minhas duas mãos ainda são minhas. Esse texto sou eu. Qualquer texto sou eu, nu, pelado, multiplicado e vazio. Puxo lá do fundo tudo que me trouxe até aqui e peço seu perdão. Saúdo os que tombaram antes, saúdo os que nasceram agora. Aos que vão e aos que ficam. Eu saúdo Exu. Saúdo quem me trouxe até aqui pra poder escrever esse texto. Eu juro que eu não sei como que eu cheguei até esse agora. Era pra eu ter caído muito antes, tantas vezes, mas estou aqui, pelado como vim ao mundo, com todos meus santos de poder ao meu lado. Cavalo e montado por vontade de mudar este globo. Chamo agora tudo que me é mais necessário e escrevo. Esse texto não cabe nessa formatação de tela. Esse texto é maior do que tudo. Esse texto é branco e luminoso, esse texto é pedra e cascalho, esse texto é luz como não vejo há tempos. Esse texto sou eu. E é você. E é agente no dia em que agente se conheceu, azul e branco raiado de vermelho. Esse texto é colorido, esse texto é prisma, é estrada, é lobo e é agora. Chamo todo mundo agora. Que seja feita a tua vontade acima da nossa mas eu escrevo porque eu acredito. Porque eu não tenho escolha. Eu peço teu perdão por eu não ter dinheiro, por eu ser um puta escritor num país em que nego morre de fome. Eu peço teu perdão por eu me preocupar e por isso mesmo não poder abrir mão de tudo isso. Eu peço teu perdão por eu ser um cara safado e gostar de você pra caralho. Eu peço teu perdão porque pra mim, isso que tá por trás da folha que me importa. Eu peço teu perdão porque não tenho nada a perder, esse egoísmo que move esse mundo não me deixa de pau duro. Eu peço teu perdão por eu ter pau e ser fruto de uma educação machista. Eu peço teu perdão porque eu não sou montanha. Sou o menor dos que eu conheci. Eu peço teu perdão porque eu sou pequeno, cheio de miudezas, eu peço teu perdão no tempo do sonhar e nesse agora. Não encontrei minhas mãos ainda. Eu peço o teu perdão por eu ser da caça e da espreita. Por eu ser da lua e da estrada. Por eu não ser de praia mas de cachoeira. Eu peço o teu perdão porque eu sou um cara chato, brabo e sério demais pra esse globo. Eu peço teu perdão porque eu errei, mas todo mundo sabe que eu te amo, e isso não é piada. Eu peço teu perdão em seis textos, que o último é do santo, em quantas linhas e quantas vezes você quiser. Eu consigo um texto melhor a cada dia. Essa a minha grande obra. Ser mais do que eu sou. Escrevo com raiva e certeza, amor o bastante pra encher essas ruas, toda a liberdade que tive de conquistar na marra, escrevo com alegria e dor, cada texto demora 3 horas, umas 30 mp3s e uns oito cigarros. Cada texto demora uma vida. Cada texto demora um mundo mas eu tenho todos na ponta dos dedos. Eu peço o teu perdão porque eu te amo e sou isso, sou esses agoras, sou qualquer um de meus textos, eu peço teu perdão porque eu sou livre, porque através da palavra eu me liberto. Porque eu não tenho nada a perder e por isso mesmo posso jogar tudo ao vento. Eu peço teu perdão porque eu não escrevi casa comigo do Melamed nem ne me quite pas do Brel. Eu peço teu perdão por eu não ter juntado um milhão de reais até os 30 anos. Eu peço desculpas e dou graças ao pai por ter um milhão de amigos, por ser bem chegado em qualquer lugar, por ter proceder e procedência, por ser um filho da puta. Eu peço teu perdão porque eu erro, porque eu não sou perfeito e não pretendo virar buda nessa encarnação. Eu peço teu perdão porque eu quero ficar contigo e nunca escrevi assim pra ninguém, todas as cartas em cima da mesa, baralho aberto, coração estendido pulsante. Peço teu perdão por tentar mudar esse mundo em sete textos, sendo o sétimo do santo. Peço teu perdão e vou escrever melhor a cada dia, puxando lá de dentro, invocando tudo que é mais sagrado e mais branco, fun fun a palavra certa. Peço teu perdão e bato a cabeça pra Xangô. Peço teu perdão e invoco a força de Jesua ben Pandira nesse e em qualquer texto que eu venha a ter escrito. É pra escrever, vamos colocar as coisas direito. Peço teu perdão e se eu escrever direito, quando puxo o asë lá do fundo, esse mundo se mexe, já vi. Então eu escrevo, montado e montaria, cavalo selvagem e estrada, vento na cara, chuva. Eu escrevo porque chove, venta e a terra treme. Eu escrevo porque eu te amo. Em copyleft mesmo, que o que é bom, tem que ser aberto ao mundo. Eu peço teu perdão porque tá machucando, porque tá doendo, porque eu tenho medo de não ver mais você, porque o tempo aqui embaixo é muito curto, porque se eu não pedisse nenhuma poesia valeria nada. Porque eu quero cozinhar e acordar com você brigando todo dia. Porque eu quero o privilégio do seu sorriso, e um livro pra cada olho. Cinco pra derrubar montanha. Porque se eu não insistisse eu não seria nada. Porque eu te amo pra caralho. Eu te amo pra caralho. Perdoa gata, vai.
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Isso é uma guerra. Não há ilusão quanto a isso. Uma guerra diária, que visa a mudar esse globo. Parar os movimentos contrários. Tentar eu vou falar que eu tentei. Nada a perder. Gosto de você pra caralho e embora você me ache o maior canalha do mundo eu não sou. Sou um cara legal e bacana e por isso agora peço ajuda ao mundo. Que esse texto se espalhe. Que quem me conhece se manifeste. Pois eu estou precisando de sua ajuda. Que esse vento e esse mar carreguem a palavra bem longe. Divulguem. Fazer a mágica funcionar demora tempo e muita gente, gente acreditando e sonhando junto. Esse o segredo maior da palavra e da mudança do globo. Nada aqui na tela é vazio, mas o movimento não pode ser só meu. Que a palavra se espalhe. Amor pra vencer o ódio. Peço a ajuda de fora, de todo o interior, peço ajuda além-mar. Peço ajuda de todos meus amigos. Posso ser louco, doidão e só pensar em sacanagem e poesia. Mas sou um cara bacana, com minhas falhas, como qualquer pessoa. Botem na balança. Isso é uma guerra e não há ilusão de vitória. Não se trata de ganhar nada, mas sim de afirmar como cheguei até aqui e tudo que não aprendi nos livros. Eu te amo. Eu peço a tua ajuda que está aí do outro lado da tela. E peço ajuda à poesia. Essa que está lá fora. Peço ajuda a todos os meus aliados e inimigos, essa é a guerra necessária. Porque o texto não é vazio e tem sentimento grande. Somar pra não dividir. Faço spam, spam necessário para o tamanho do texto. Porque se abrir assim, não é vazio. Nada aberto assim é fácil, nada aberto assim é gratuito. Tudo tem seu preço e pago sorrindo. Batalha primeira e mais singela. Que haja luz. Essa é a guerra que travo todo dia e não de hoje. Que haja luz pra espantar as trevas. Que haja amor pra vencer o medo. Quero você bem, de um jeito ou de outro. Amar rima mais com chuva do que com corrente. Amor rima mais com abraço do que com orgasmo. Peço a tua ajuda meu irmão. Espalhem a palavra. Essa é uma guerra e não tenho medo de perder. Isso é ser poeta. Isso tudo e somando com todos vocês que se muda um mundo. Falei com você hoje e fiquei tremendo. Assim como quando escrevo, quando insisto na folha que às vezes quer ficar vazia. Peço a tua ajuda minha irmã. Que essa palavra não cale. Que o riso prevaleça mais uma vez e em nome do que é mais sagrado e liberto. Fazer papel de otário qualquer um faz, botar tudo que é dentro, tudo que é fundo na página é muito mais complicado. Tou devendo mostrar texto e começo assim. Eu te amo. Aliás, amo todos vocês e peço ajuda pra mover esses pedregulhos do caminho. Mais sincero que isso, não há. Esse o terceiro, pra fazer a coisa funcionar. Já pedi ajuda ao invisível e agora peço ajuda ao outro, o eu refletido em tantas ruas diferentes, em tantas línguas semelhantes. O meu eu que não eu mesmo. O meu eu de trajetória. De caminho mesmo, que a quilometragem já tá alta. Isso é uma guerra e não estou sozinho. Que a verdade seja dita. Pois tudo o que sou é amor e riso, caminhar vagabundo pelas estradas e conhecer as pessoas pelo brilho que tem por trás do olho. Pessoas raras apareçam por trás da folha, quem pede é poeta e não tem nada a perder. Pessoas boas, eu sei que vocês estão por aí, rodando. Se manifestem e façam chegar esse canto pra quem eu quero. Que essa história rode por todo esse mundo e vá além. Pois é canto de fé e de hombridade. Canto de carinho enorme e saudade grande. Canto de quem pede desculpas e quer bem. É canto de Homem e cantoria de menino que não quer ser grande, mas feliz. Felicidade é tudo que importa. Peço ajuda ao povo do santo, pois o pedido é sincero. Peço ajuda ao povo de longe, porque essa palavra é grande. Peço ajuda a todos que não conheço, pra que essa verdade não fique velada. Papo sério e reto. Peço desculpas e quero o bem, o melhor possível. Peço ajuda aos meus irmãos que só vejo uma vez no ano, e quando muito, esse amor é grande, do tamanho destas estradas que separam a gente. Se este texto acabar pelo menos vai chegar ao mar inteiro. Palavra é isso. Esse o segredo da poesia. Um pedido de desculpas que atravesse um mundo. Amor o bastante pra falar de tudo sério, pra falar de tudo brincando. Isso é uma guerra, e em guerra, palavra não cala. Falar então por tudo que é mais bonito e amarelo, por tudo que é mais sol, por tudo que é mais salgado. Por tudo que é mais abraço, carinho e temperatura. Por tudo que às vezes quer dizer lar e não besteira. Por tudo que quer dizer calma, junto, mais perto. Por tudo que não quer dizer sacanagem. Eu te quero muito bem, peço desculpas, e travo a batalha sorrindo. Não há uma gota de ódio no meu peito. Não há pressa. Calmo e molhado como vim ao mundo escrevo. Tenho fé no texto. Não há vitória, não há derrota, não há olho, ouvido, nariz, língua, corpo, mente; não há cor, som, odor, sabor, tato, fenômeno; não há desde o reino da visão até o reino da mente; não há desde a ignorância e o fim da ignorância até a velhice-e-morte e o fim da velhice-e-morte; não há o Sofrimento, a Origem, a Cessação, o Caminho; não há sabedoria, nem ganho, nenhum ganho. Essa é a batalha. Esse o caminho desse texto. Que essa palavra se espalhe. Eu te amo. Não quero outra coisa além do seu bem. E peço a sua ajuda pra que isso tudo, que é bom, que é livre e belo, chegue longe. Peço com meu coração aberto e minhas duas mãos vazias. Peço descalço e de cuecas olhando pra esse monitor. Peço triste, porém calmo e feliz por estar travando a batalha. Essa é a batalha necessária gente. Todo o resto é vazio e subtração. Isso é vida, felicidade e momento. Isso sou eu, vazio e escarrado, pelado e inteiro. Eu te amo. Faço das palavras vento e abro os braços.Sábado, 17 de Janeiro de 2009
Hoje estou triste. O quarto fala de tristeza, de imensidão e dessas ruas que parecem mais vazias, um porre por dia pra manter a sanidade e esquecer que meu relacionamento acabou por causa de uma porra de conversa de msn. Eu te amo e tou cheinho de saudades. Eu te amo e tou vaziinho de certezas. Eu te amo e tou deserto. Tou deserto e sol grande por cima. Tou deserto e com areia entre os dedos porque o tênis perdi na última viagem que fiz com você. Tou cansado, mas o texto é preciso. É precisado. Eu tou poeta e tou abraço. Precisando do último e reafirmando o primeiro. No desespero de qualquer dia. Tou triste triste triste. Bem. A certeza, qual a certeza que se tira da folha? Eu também devo estar precisando de praia. Ou de estrada. Tanto faz. Aliás, as coisas deixaram de fazer qualquer coisa, os sentidos que restam são estender a mão e encher outro copo. Me drogar bastante pra permanecer inteiro, vazio, e flutuante. Que o texto chegue até você que já chegou em floripa e fortaleza. Há as certezas de que o texto está indo. Há os movimentos que já não dependem de mim. Há essa falta de certezas e essa distância que aumenta não é poema. É complicado e hoje não haverá certezas na folha branca. Haverão cervejas porque hoje é sábado, haverão cervejas, porque sempre houve. Assim como poesias, Oxalá, e tudo isso que não é poema. E tudo isso que não é brincadeira ou pular carnaval. Sem purpurina hoje. Só serpentina e não era pra ficar engraçado. Hoje, outro dia de chuva, roupa molhada, e escorrer pelo grajaú com as pupilas dilatadas ouvindo doors no walkman. Dia de se sentir pequeno, sozinho e com medo. People are strange. E tou puxando tudo que é necessário pro desenrolar do texto. Mexendo com as coisas bem perigosas, aquelas guardadas bem no fundo. Há infinitos além do poema e não só os espaços imprecisos entre as estrelas. Há um infinito até você conquistado por vontade. Há ruas que não lembro o nome. E me deixo escorrer em qualquer canto que não achei os sentidos no mundo. Celebração da carne, porque não? Escrever, eu tenho escrito, e isso não é impune. O poema nunca é impune. Viver não sai de graça não. Por isso confabulamos, celebramos e fazemos qualquer coisa pra se manter nessa orgia mais um tanto. Eu sinto saudades e ressaca de manhã. Isso tudo que é branco, inclusive a folha, me protege e me guia. Isso tudo que é branco me guia. Isso tudo que é branco me guia em tantas ruas, andando ao léu, sem qualquer direção provável, o sorriso, quase impossível. Hoje, o dia da tristeza salgada e de beber do cálice amargo. Cerveja que ainda tem 3 textos pra escrever. Dois seus e um do santo. Escrever todo dia é complicado. Mas tem feito um bem danado. Pensar em você me faz um bem danado. Depois que venha a tristeza, e ela chega sempre, depois que venham todas essas ruas passando que nem videogame, depois que venham todas as pessoas falando saí dessa Laurent. Depois que venham as pessoas. Abraços nunca hão de faltar, mas hoje é sábado, e eu estou bem triste, bem sozinho, e não estou cansado. Quero o teu sorriso do outro lado desta página. Não dessa, essa página não tem riso algum. Essa página é caatinga, essa página é cerrado, essa página são dois latifúndios de tristeza, um em cada quadrado. É distância de saudade ruim. É complicada e simples. É salgada. Salgada como o mar. Salgada como sangue. Salgada como carne, como vento, como chuva de manhã. A chuva de manhã caí salgada, a de tarde cai doce. De vez em quando bate uma saudade tão grande que balança. De vez em quando eu fico triste e vou andar sozinho, papo de processar outro poema. Escrever e sofrer mais um pouquinho. Foi mal. Melhor que pegar a gilete é pegar a caneta, corta mais fundo e tira mais sangue. Hoje não é um dia muito bom, mas ainda tenho 3 textos. Mas hoje não é um dia muito bom. O problema é que eu não achei os sentidos nesse globo e ainda assim tenho que escrever mais seis livros, um pra quem foi, um pra quem veio, e cinco pra derrubar a montanha. Força, mano, é só não ficar parado. Hoje, essa semana, soma de sete presentes no momento texto, o objetivo é o sorriso de Naná em qualquer canto desse mundo. O texto tem força, movimento, e vontade. Vontade boa e vontade bem. Vontade muita. Um querer tamanho que sustenta. Mão estendida em abraço, em adeus, em até logo, em te quero muito bem. Esse texto é bom e que não me venham falar o contrário. Tem muita coisa em jogo e eu não calo. Meus inimigos, as pessoas que atravessam meu caminho, eles passarão e eu de caminhão por cima. Hoje não é um dia muito bom e eu tenho que escorrer por aí. Hoje não é um dia muito bom, mas o texto foi feito. Trajetória em palavra desenhada. Deserto e sal, o caminho marcado na pedra, na frente. Eu escrevo pra mim. E pra você. E pra qualquer um. Os infinitos não me incomodam.Domingo, 18 de Janeiro de 2009
Escrevo porque preciso. Porque tem algumas coisas que não é bom de engolir, e porque tudo isso que desencavei até aqui, não é gratuito. Tá bom, eu assumo, sou da canalha, esse texto é mais pra mim, do que pra naná. Mas só que eu amo essa mulher, de um jeito tão grande - Braços abertos virado pra qualquer baía - que isso tudo não cala. Escrevo porque insisto e é engraçado essa história de ter cometido orkutcídio e mandado o msn às favas, e isso te deixar tão sozinho que parece até bom. Ultimamente, meu riso, tenho guardado pra mim. Minha dor não é problema de mais ninguém e eu já sabia que ia ser assim desde o começo, e gosto dessa mulher pra caralho, e ontem foi muito bom ter ido beber com meus amigos e ás vezes fico tão triste que o mais fácil e me jogar por aí mesmo, e que se fodam todos os sorrisos prováveis e qualquer direção em que não vou encontrar com você. Eu quero beber, sabia? Celebrar um pouco mais essa vida em nome dessa própria dor. Essa dor é que dá sentido à festa, entende? Queria te encontrar e tomar um chope e não falar mais nada. Quero esses teus olhos perto hoje e qualquer outro dia. Eu sabia que hoje, ia acordar vazio, mas mesmo assim, a palavra não falta. Isso é bom, e tem cerveja gelada, e tem um cordeiro no forno. E tem gente, gente que nem conheço, que vai estar sempre ao meu lado. Isso conta, não agradeci ainda, o foco agora é o texto, novena de sete dias, em nome de tudo que me é mais sagrado, por esse agora. Por esse agora sempre e em sete vezes. Escrevo porque dou seqüência, porque a vida é curta e muita gente que conheci virou notinha de rodapé, escrevo que ir visitar amigo no hospital, ou ir em missa dar um abraço em mãe de falecido, não é legal, me lembra o quanto é importante falar tudo isso logo e que me não me julguem pelo que nunca foi dito. Escrevo porque Tempo é rei e geralmente falta. E porque gosto. Gosto muito mesmo de você. Essa vida é muito curta e muito rápida. Essa vida é tudo que agente tem. Por isso, tenho que tentar fazer o meu melhor, sempre. Meu melhor agora significa eu gosto muito de você, nunca escrevi assim, uma página por dia, até o livro, meu livro, escrevia uma página a cada dois meses, mas escrever assim é tão bom, nêga, escrever pra você faz um bem tanto, que puxar tudo isso pra folha, fica até quase bom. Faz até quase bem. Hoje eu tou aqui pelado porque sabia que ia ter um dia que a palavra ia faltar. Que seja agora e não depois. Aliás, a palavra que se foda, quem molda a matéria é vontade. Escrevo porque tenho vontade, por que me propus, porque o texto é bom e quando escrevo, quase tenho você por perto e isso faz um bem que é quase bom. Escrevo porque é bom. Porque tou cansado, porque tou com medo, porque eu me jogo, porque não aprendi de outro jeito. Escrevo porque sou um imbecil, se eu fosse esperto, tava ganhando dinheiro. Escrevo porque é preciso. Desses milhares de brasis que se fez a necessidade. Escrevo porque nunca ninguém fez tudo que eu fiz. Necessário é ter pulsação pra poder falar. Coração forte batendo no peito, em respeito a todos esses, que brasileiros, morrem sem quebrar. Coração forte batendo no peito e que o resto sejam essas marchas libertárias, essas promessas de orgia, que o resto seja poder escrever pra você, pelo menos mais uma, que a outra é do branco. Que o resto possa ser escrever pra você. Porque faz bem. Eu te adoro gata. O dia da tristeza forte não há de ser agora. Passou. Tudo que há de aparecer no texto é tudo que é bom. Tudo de bom, tudo de melhor possível hoje, e em qualquer outro agora. Sempre. Pra sempre gata, que eu vivo por tesão e todas as minhas escolhas são em favor do melhor possível. Não vivo pela tristeza, embora desde que você tenha se mandado, ela cisme de ficar dando as caras. Eu te amo, e isso, é tudo que signifique o melhor possível. Em qualquer lugar e com qualquer pessoa. Amar rima com mar não em sufixo, mas em tamanho, sentido, e nas profundidades. Não esquece que já caí uma vez e entendo que mais da metade dessa entrega, é feita de entrega mesmo. A outra metade é somente pornografia. Tesão gata, isso é o que move a gente. Hoje, não bebo por tristeza, embora ela esteja aqui do lado, e de vez em quando dê as caras. Hoje eu bebo por alegria de ter conhecido você. Isso é bom, do branco luminoso e desse céu da praia da bica. Por tudo que ás vezes quer dizer macumba. Porque eu queria muito poder escrever pra você aquelas dez poesias que eu falei que ia escrever aquele dia lá na praia da bica, dez textos, dez locações geográficas diferentes, um texto pra ser aberto na praia da bica às sete da noite, um texto pra ser lido no meio de aldeia velha, às seis da manhã, um texto pra ser lido na linha vermelha engarrafada sob chuva, um texto pra ser lido no teu quarto, sozinha. Um texto pra quando você tiver cagando, um texto pra você acordar sorrindo. Um texto pra quando você estiver estressada, papo daqueles prazos absurdos. Um texto pra quando você estiver sozinha. Um texto que você entenda dos tantos que te gosto. E um texto pra você gostar também. Escrever pra você é privilégio, morena. Faz tão bem que é quase bom. Escrevo porque acordo de pau duro, porque essa vida é tão somente escolha, porque aprendi que liberdade é sempre melhor. Escrevo porque sou livre. Os braços abertos, de vontade. Escrevo porque te amo pra caralho, porque meu português não é perfeito e tenho que treinar, escrevo porque eu acho você foda, e que se foda. Eu te amo porque você é a única coisa que fez sentido nesse globo. Todo o resto é ficção e dos mitos da sociedade de controle. Tu faz um bem que é bom demais. Te amo.

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Falar disso tudo que tenho medo então. Hoje não vai ser o texto mais fácil. Aliás, nenhum texto desses foi fácil. Fácil é sair por aí e fingir que eu fiz a minha parte falando tudo isso que tava aqui dentro, pra você. Fácil seria eu lavar minhas mãos falando que eu fiz o melhor que eu podia. Seria mais fácil eu parar e esquecer você. A parte minha que é bicho clama por isso todo dia. Foda que o texto é exercício de vontade, do querer bem demais e em qualquer canto. O texto é todo da vontade de querer junto. O texto é todo do querer grande. O texto é pra se buscar tudo que não foi escrito, tudo que estava guardado. O texto não justifica nada, chega vazio e sem perguntas. O texto só afirma, não perde tempo negando. O texto é pouco. Esse poeta aqui é um cara pequeno. E carrega desses gostares do tamanho do mundo. E carrega muitas dessas histórias, que só ficam bonitas, em novela. E carrega coisas, que era pra ter deixado há um chão. Tenho medo de caminhar sozinho, muito tempo, tempo demais. Morro de medo desse mundo que eu não entendo, minha estrada, é toda feita de vontade, e também é toda de desfeitas, que viver no questionamento desse mundo inteirinho de clichês, não é tão engraçado assim. Tenho medo desse mundo me derrubar algum dia, não achei lógica alguma nessa sociedade de mercado, entre esses outros brâmanes que não me responderam porra nenhuma. Tenho medo dessa conversa que de repente vou ter com você mais tarde. Tenho medo de às vezes entender certas coisas, só com um olhar. Tenho medo de perder você. Tenho medo de seguir estrada de poeta algum dia, rien-ne-va-plus, jogo encerrado. Tenho medo disso tudo ser só um sonho de formiga. Às vezes, eu também tenho medo do outro. Tenho medo porque perto de você, eu viro um cara gigante, até pinta uma vontade de virar montanha e cordilheira; fora disso, sou só um cara pequeno, que escreve geralmente mal e tem amor o bastante pra mudar qualquer mundo. Isso não basta. Estar vivo não é o bastante. Tenho medo de não te dar um abraço. E morro de medo dessa história terminar por causa de msn, orkut, qualquer e-mail, o virtual não é o agora, nem hoje e nem nunca. Agora, pelo menos até tudo isso que não foi ontem, real era acordar com teu mau humor e mesmo assim feliz. Real era abraçar você, e poder abraçar forte. Hoje não é o dia da tristeza, mas o dia de se falar de tudo. Não é o dia de se pedir desculpas e nem o dia de se pedir ajuda aos universitários. Hoje é um dia vazio disso tudo. Hoje é dia de confronto e amanhã, o dia do branco, de qualquer forma, de qualquer jeito. De qualquer jeito. Hoje seria um bom dia pra ir até aí e resolver isso tudo, isso se eu não estivesse morrendo de medo. Hoje seria bom ver você. Ou não, mas com meia dúzia de cervejas, os infinitos ficam bem mais fáceis. Os infinitos são sempre mais fáceis e as ruas que separam metem medo. Tenho muita saudade de você. Mas já pedi desculpas, já falei do tanto e falei também do tão pouco. Falei de tudo que é grande, invisível; eu falei de tudo que se multiplica. Falo agora de tudo que eu não quero mesmo. Não sei se queria ser poeta, de repente melhor seria ser bancário mesmo, minha vida ia ser mais chata, mas de repente não tão triste. Besteira. Se uma coisa aprendi é que felicidade é feita exclusivamente de perda. Sem saber perder ninguém ganha. Quanto será que perdi nesses textos? Quanto será que ganhei? Ganhei alguma coisa? E se perdi, foi importante perder? Sei que esse texto é importante e fica. Ou não porque se amanhã você quiser apagar, o direito é todo seu. Esse texto é seu. Inteiro. Esse texto só é meu na medida em que me representa. Fora isso ele não é de mais ninguém. Fora isso ele é de todo mundo. A expressão de tudo que é mais verdade sempre mudou esse mundo. Quem sabe é você, porque eu, eu sinceramente não sei de mais nada. Nem quero saber. Uma cerveja caía bem. E não há nenhuma grande verdade nesse texto que eu já não tenha falado mais de 1.500 vezes. Me repito e refaço até neguinho entender que se o sangue é vermelho é tudo a mesma coisa. Isso em qualquer agora. Esse texto tem honra. Esse texto te honra. E faço isso porque sei que ninguém é maluco pra fazer igual, um texto por dia, cada dia mais fundo, cada dia meter a caneta mais fundo e tirar mais sangue. Se o texto é bom, não sei, o Rod, esse menino gigante, que escreveu mais embaixo, é bem melhor do que eu. Sei que esse texto tem todo o sentimento possível e todos os movimentos embutidos. O de partir, o de voltar, o de se mandar e o de mandar o mundo à merda e ir pro bar. Esse texto é de quem chega sem nada nas mãos, nada nos bolsos e sem nenhuma carta nas mangas. Esse texto é de quem chora. E de quem só chora embaixo de chuveiro. Esse texto é de quem vai embora e não olha pra trás. Esse texto é de quem não olha. Esse texto é muito curto, esse espaço muito pequeno. Nossa, como faz calor nesse rio! Nada a perder, gata, e uma semana de palavras pro vento, não é pouca merda não. O problema é que não há vocabulário e eu tenho que criar ele todo do zero. Quando se fala brincando, fica bem mais fácil. No geral tudo é bem mais fácil e por isso mesmo tiro quase tudo de letra. Porque chamar isso tudo que não é agora pra folha é bom, mas faz um mal danado. O que eu não faço pelo brilho atrás do teu olho, menina... Às vezes fica tão mais fácil não falar mais nada. Te amo gata. Essa das verdades que ficam. O resto geralmente é besteira e coca cola. Por tudo aquilo que não é coca cola. Porque esse Rio é oceano e você rainha. Porque tive coragem de escrever isso tudo. Porque sou filho de Zambi. Então com coragem, coragem pra enfrentar tudo isso que não é soma, eu vou-me embora. Peço ao céu e à chuva, ao vento e a tudo isso que também é rua, que me façam chegar inteiro.Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Escrito hoje e entregue ao mar e à essa que também é rainha. Que tudo que é tristeza, tudo que ainda é raiva, e tudo que não é luz e expansão seja levado pro fundo do mar. Odoyá, senhora de tudo isso que também quer dizer azul, eu te saúdo. E tudo aquilo que não é mar, não tem a ver nem com naná, nem com mais ninguém. Asë.
Meninas, voltei.
Viver sem você é foda.
Aliás, viver sem você não há.
Aliás, de novo, tudo, todo o tudo é foda,
meu deus que é sacanagem.
Nove frases para naná
Sem você eu fico descalço
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Verdade seja dita. O sétimo texto era pra Xangô. De São Sebastião dos Rios de Janeiro. Pra se falar de tudo isso que também quer dizer Vermelho. E Branco. Como essa folha e como esse poeta. Esse aqui bem na tua frente. Esse texto é pra machucar. Pra cortar bem fundo essa folha e qualquer um que se meter á besta e não sair do Caminho. Esse texto é Branco. Esse texto é Vermelho. Por que Eu sou um Sol e Eu brilho. E poesia boa tem que arrancar pedaço. Verdade seja dita então. Agora e pra todo e qualquer sempre, hoje, amanhã ou qualquer outro dia. Eu escrevo mal pra caralho. Eu só falo merda e quando eu quero, eu consigo ser um tremendo de um tremendo filho da puta. Eu me criei assim porque nada nessa porra nunca foi de graça. Tudo foi porrada e eu aprendi direito. No grito e dando soco bem forte no muro, de tirar sangue. Nessa porra de palavra, macia e cortando fundo. Macia e tirando pedaço. Ninguém é de ninguém e o que tá riscado é mais embaixo. A música tem que ser alta, eu preciso estar bastante alto e que todas essas tolas verdades de shopping center sejam jogadas ás labaredas, mais uma vez ainda, novamente carranca, nau capitânia e navio negreiro. Escrevo com raiva e com o Sol crescendo no peito. Cristo solar ou qualquer outro cristo batendo no fundo hoje e sempre. Porque eu sou caçador e não ou nunca da caça. Porque eu também sei ser vermelho. Eu que tento ser branco e acabo me cortando mais fundo do que é sábio. Eu que volto ao vermelho, à liberdade e a essa lua que vai brilhar feio, e a essa lua que vai brilhar grande, lua azul de sangue. Carnaval é quase isso. Liberdade a palavra certa e ninguém vai aprender isso nas leituras. Liberdade, gata, se aprende tomando porrada. Dando essa cara de gostoso á tapa e voltando á rua. Sou um filho da puta tão escroto que rio. Que rios de janeiro ou qualquer outra porra em que eu não me encaixe. Esse texto é pra tirar pedaço, romper de vez com essas amarras que criei nesse peito cabeludo e bem vivido. Não tenho medo da vida e nem de qualquer tirano. Não tenho medo de ser feliz e sempre que eu entrar de cara vai ser assim: pra perder tudo! Eu calo a boca, não insisto, me jogo nos emboras dessa porra, e que se foda, aliás, que se foda você, eu saio como cheguei, inteiro e triste pra caralho com tudo isso que te empurram como se fosse sagrado e luminoso, as promessas douradas lá de fora. Inteiro de estrada e de tudo e de tanta luz. Eu saio como cheguei. Livre e solar. Eu sou Estrela. Quem não tiver luz que saia de perto que eu vou chegar queimando. Azul e branco, ultravioleta, poeta. Eu sou da guerra, de la canaille e dos que aprenderam a andar em brasa e comer vidro. Cuspo fogo e ainda cuspo na cara. Vergonha alguma de ser tudo que sou. Esse texto é forte, esse texto é foda. Sai de perto. Se adianta que se brotar na frente vai dar merda. Raiva eu tenho nessa porra. Raiva, fome e um milhão de poesias, um mar de milhares de outras histórias que eu não vou escrever pra você ou pra ninguém. Esse texto é guerra. Confronto, a história inteira do lobo na fogueira. Esse texto é pra quem é bruxo e entende do totem. De tudo isso que é vermelho. O branco não cabe na folha. Nem na frente, nem em qualquer canto. Escrevo porque posso, ter fé em palavra não é jogo. Escrevo porque quero, eu sou a minha Vontade. Isso que se reflete no agora. Isso agora e qualquer outra hora, e sempre. Repeteco disso tudo que eu não sou, não permaneço por aqui. Que se foda e que a verdade seja dita: amor nessa carne eu tenho aos montes. Amor bastante pra mandar tudo quanto é quase á merda. Que sejam enterrados na merda até o pescoço. A palavra dói, mas eu não sou maluco. A palavra corta, mas não o bastante. Tudo isso que pareceu ser fundo que seja morto e cremado. O que é do vento, ao vento então! Que chova. Muito e além do bastante por que tudo isso que é água salgada desperdicei em outra folha. Que venha a chuva, tempestade me enche de tesão. Eu sou do mato, o arco é grande, essa flecha, certeira. Tudo que não deu no jogo não fará fogueira alguma. Foda-se. Tentar eu tentei de tudo quanto é forma e jeito possível. Quem não tá pronto pra perder e ganhar, só pra perder tudo de novo e ganhar de novo e perder, e ganhar, por que essa vida é perda, essa vida é lucro e covardia, essa vida é coragem, quem não sabe perder não ganha. Eu não escrevo pro vento e também não escrevo mais pra você. Escrevo pra tudo isso que é tanto, pra tudo isso que é muito, demais, escrevo pra tudo isso que é a gente junto, e foda-se tudo que você acha, todas tuas míseras verdades acerca de posse e do que é o certo, acerca do quê que é gente, e do quê que a gente pode. Nesse deserto de sal, porra e sangue, a gente pode tudo, a gente, todo esse coletivo que vai ler esse texto. A gente não é nada, porra e sangue, shadows and dust, interesse e Vontade, Sol e brilho. A gente é sol, sangue e chuva. Eu te amo, mas jogo agora tudo isso que é amor ao mundo, á tudo isso que é fera, á tudo isso que é bicho. Eu não escrevo como gente, mas como bicho. Mais, claro que há mais. Pra cortar esses fios tem que ser navalha. Lâmina de prata e átame pra cortar tudo isso que não é sucubo. Eu sou vazio e esse mundo é grande. Eu tou com raiva e todas essas pessoas que não sabem ser estrela que venham a brilhar na fogueira. Essa em que eu entro agora. Esse texto não tem pena, não passa a mão em coroa nem mete a mão em cumbuca. Quem não tem coroa pra entender tudo isso que foi falado, não vale o poema. Falei de tudo quanto é jeito tudo que eu podia ter falado, não entendeu, esse mundo é grande. Abro a passagem e que volte á mim tudo isso que foi dado. Quem abre mão tem todo direito de tomar. Abro a mão, os braços, e que venha a chuva, free at last, largar esse lastro todo no fundo de qualquer abismo que não seja meu peito. Verdade seja livre então. Arranco essa toalha com todos os pratos, tudo ao chão. De novo, again, encore. Foda-se. Sinceramente foda-se. Medo algum desse chão e que venha direto na cabeça. Hoje quem cai sou eu, mas nunca tive medo de chão. Hoje a queda é minha. Pelo menos eu tou em casa. Amor assim, não se acha em nenhum dos 4 cantos. E você jogou fora. Encontrei minha vó no sonho, chorei, dormi, voltei. Volta-se sempre até a página, de um jeito ou de outro. De um jeito ou de outro e nem tudo vai ser sempre vermelho. Pilão, socador e lâmina. Fogo, lua, e a imensidão dessas ruas desertas e tudo isso que se vai somando. Tenho as ferramentas e a Vontade. Eu que sol. Eu, sol e todo o resto não vai ser da casa dos somentes, das sementes ou de qualquer outra promessa. Essa força que carrego nas costas, é força bastante pra ser feliz em qualquer agora. Vivo por tesão e por palavra, que venham todas essas ruas juntas então. E que seja agora. A vó me disse que tudo isso que era tentativa, confronto e queda não era vazio, mas processo. Que tudo que era vazio, era vazio mesmo e você vai aprender do pior jeito possível que atrás dessa sociedade da mentira e do capital, na tirania dos homens de preto, não há sentido algum. Felicidade é se permitir. Abrindo os braços com vontade. Gargalhando e encarando tudo isso que é fera, no fundo do olho. Topando qualquer caminho, pegando estrada pra qualquer outro lugar e foda-se. Que venha tudo que é fundo e nem sempre humano. Tudo que é instinto, tudo que é vermelho, tudo isso que brilha e corta fundo. Que venha a poesia. Eu me liberto na folha. Me liberto e jogo tudo isso que é raiva ao mundo. Rosno, uivo pra lua e não olho pra trás. Que queime. Corto tudo isso que quis dizer junto e jogo aos cães. Quem é capaz de gostar mas não de assumir que vá queimar nesse deserto. Sou Oceano, Sol e bicho. Sou carnívoro. Predador de mim e de tudo isso que não quer mais dizer porra nenhuma. Vamos ver quem é caçador nesta porra. Vamos ver quem morde mais fundo. Que tudo isso que quer dizer Laurent aos espaços infinitos entre as estrelas, e quem chegar perto vai queimar. A vontade é de cometa e quem tiver na frente vai virar poeira. Quem se joga tudo pode. E geralmente tudo perde. Só que esse texto é sacanagem e putaria. De riscar pentagrama de fogo na frente e ir-se embora. Pra que você entenda o quanto esse cavalo gostava de você. Isso não se acha por aí. Raiva é isso que liberta. Sai fora e vai pela tangente. Pra andar nessa estrada tem que ser mais fundo. Tem que ser mais grande. Cair e recomeçar de novo e que a palavra seja dita. Que venha tudo que é amigo e tudo que quer dizer buceta. É malandragem, tamos de volta. Plural porque poeta é legião. Todos os santos e demônios juntos na folha, em qualquer folha e em qualquer lugar. Eu quero mais é que se foda. O axé que eu levei eu tomo, o texto que escrevi que queime. Ao fogo, e que chova bastante. Tamos de volta e a chapa tá quente, se brotar uma gata depois da esquina a coisa ferve. Tá ligado? Metade é tudo que não quero e esse céu de fevereiro há de ser vermelho e glória. Nimiê Odé como explicou o babalaô. Eu quero mais é que se foda porque minha felicidade foi conquistada no grito. Gritando por desespero, porque tudo que é azul não faz nenhum sentido. Que essa multidão me carregue que vou embora. Partir, se mandar dessa história que já é tarde, picar a mula de tudo isso que não soube ser fundo. Sair fora de quem não sabe ser gente. Minha palavra vale mais que o ouro. Tive que buscar dentro e não saiu de graça. Esse texto tem que acabar de alguma forma e que venha o mundo então. Eu, parte, partido, despedaçado e carregando o estandarte na frente, Vade Retro, vinde a nós e você pode ir pra puta que te pariu.Meninas, voltei.
Sábado, 6 de Junho de 2009
Feitas no mergulhão da praça XV, papel e caneta
Para Naná 8Viver sem você é foda.
Aliás, viver sem você não há.
Aliás, de novo, tudo, todo o tudo é foda,
meu deus que é sacanagem.
Nove frases para naná
Sem você eu fico descalço

